O secretário de Segurança e Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, afirmou nesta quinta-feira (17) que a escalada da violência praticada por facções criminosas no estado precisa ser analisada também sob a perspectiva da possível influência do crime organizado na política. A declaração foi feita em entrevista ao programa Arapuan Verdade ao comentar a sequência de homicídios com decapitações registrada nas últimas semanas e as dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança em áreas onde, segundo ele, existem suspeitas de conexão entre criminosos e agentes políticos.
Na avaliação do secretário, os três casos recentes de vítimas assassinadas e decapitadas estão relacionados, inicialmente, a uma disputa entre grupos criminosos pelo controle de territórios. Jean afirmou que a violência empregada seria uma forma de impor medo aos adversários e demonstrar força diante de outras organizações.
“É uma disputa entre grupos criminosos que tentam se estabelecer e, com violência, tentar marcar território e impor medo àqueles que disputam essas áreas com eles”, afirmou.
Jean Nunes disse que a sequência de crimes chama atenção porque a Paraíba não possui histórico recente de ocorrências dessa natureza registradas em um intervalo tão curto. Segundo ele, a Polícia Civil já conseguiu prender dois suspeitos em um dos casos, relacionado a uma vítima que teve o corpo desenterrado e posteriormente decapitado.
O secretário, entretanto, ampliou o diagnóstico para além da atuação policial e afirmou que o combate às facções se torna mais difícil em municípios onde o crime organizado teria encontrado espaço ou apoio político.
“Existe uma dificuldade maior quando o crime organizado com facções são recepcionadas ou atores políticos dão guarida, dão espaço, fazem proliferar e depois vêm com discurso vazio de combater o crime organizado. Isso não existe”, declarou.
Sem apontar, na entrevista, que os recentes casos de decapitação tenham sido ordenados ou executados por agentes políticos, Jean afirmou que existe uma preocupação das forças de segurança com possíveis conexões entre organizações criminosas e a política. Ele citou operações da Polícia Federal e decisões da Justiça Eleitoral envolvendo suspeitas de vínculos entre candidatos e grupos criminosos.
Segundo o secretário, quatro casos na Paraíba estariam entre os 23 registros nacionais mencionados por ele de candidaturas questionadas por supostas conexões com organizações criminosas. Jean também citou João Pessoa e Cabedelo como municípios onde, em sua avaliação, a atuação das facções e as dificuldades de enfrentamento exigem atenção especial.
A declaração ocorre em meio à preparação das forças de segurança para as eleições e ao histórico recente de operações que investigaram a interferência do crime organizado no processo eleitoral. Para Jean, a experiência de eleições anteriores deixou um diagnóstico mais preciso sobre a forma de atuação das organizações criminosas.
“Fica de lição uma série de aprendizados. Para as forças de segurança, a gente sabe e tem um diagnóstico muito mais preciso hoje”, afirmou.
Apesar da preocupação com a escalada da violência, Jean Nunes afirmou que a estratégia da Segurança Pública não será modificada em razão dos crimes recentes. Segundo ele, o trabalho de inteligência já vinha sendo desenvolvido antes dos homicídios e permite às polícias acompanhar áreas e integrantes de organizações criminosas.
“A gente não trabalha de acordo com os crimes que vêm acontecendo. A gente já vem produzindo conhecimento e fazendo antecipadamente algumas ações”, explicou.
O secretário também afirmou que criminosos que atuam na Paraíba estariam escondidos em outros estados e continuariam dando ordens para integrantes das facções a partir de fora do território paraibano. Ele disse que operações conjuntas já resultaram em prisões de suspeitos fora do estado.
Diante da sequência de assassinatos, Jean garantiu que as forças de segurança continuarão atuando para identificar os responsáveis.
“Não vamos recuar diante de fatos dessa natureza. Pelo contrário, a gente vai para cima, porque vamos identificar e impedir que novos casos aconteçam”, afirmou.
Redação
Acompanhe o PB Agora nas redes: