O possível acordo entre Estados Unidos e Irã pode baixar a inflação e acalmar o mercado de petróleo. Além disso, encerrar a guerra é tentativa de Donald Trump se recuperar diante da opinião pública. Mas pode complicar a situação de Benjamin Netanyahu.

É o que avalia o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Menezes. O especialista vê uma vitória do Irã no controle do Estreito de Ormuz e uma busca do presidente dos Estados Unidos em recuperar popularidade.

“O que Trump está fazendo é um acordo para tentar reduzir em dois a três meses o custo da gasolina nos Estados Unidos, que aumentou 46%, nesses quase 4 meses de guerra, tentar recuperar alguma popularidade e tentar chegar com uma chance maior de vitória nas eleições internas dos Estados Unidos”.

Pare ele, a dúvida que fica é Israel, que disse ser contra o acordo. Na avaliação do professor, a paz pode ser um problema para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que é impopular e enfrenta acusações criminais na justiça.

“A paz para Netanyahu significa enfrentar todas essas acusações nos tribunais e também enfrentar a população que é contrária a Netanyahu e que quer a sua saída.”

O anúncio do entendimento na noite de domingo (14) fez os preços do barril de petróleo caírem de U$100 para cerca de U$80.

Se um acordo realmente for implementado, a tendência é que a inflação global caia com menos incertezas sobre o combustível, diz o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado. Ele acredita que a demora para normalizar a produção e distribuição do petróleo na região não deve afetar tanto os preços.

“Você tem fontes alternativas, você tem outros players no mercado que podem suprir uma eventual redução, no caso, da produção da região do Irã. Claro que regionalmente isso é um problema porque afeta a economia iraniana, que é uma economia que já está bastante abalada, há algum tempo, por toda a restrição, pelos embargos que foram feitos pelos americanos”. 

Mais tranquilidade no cenário internacional pode ajudar a baixar expectativas de inflação e juros no Brasil, avalia o economista. O Boletim Focus desta segunda, que traz as expectativas do mercado financeiro para a economia, foi publicado com dados de antes do memorando. O documento aponta inflação a 5,30% e Selic em 13,75% em 2026.

“É preciso avaliar depois as variáveis domésticas para que você tenha reduções na expectativa de inflação e com isso reduções também na taxa Selic. Outra coisa interessante é que a economia brasileira é muito dependente da importação de fertilizantes e o conflito estava ameaçando e gerando movimento de preços nesse setor. Para nossa economia é muito bom que seja normalizada essa produção.” O memorando, que deve ser assinado na sexta-feira (19), em Genebra, significa que as partes aceitam negociar sobre pontos que depois vão virar um acordo final. Essa segunda rodada de negociações pode levar sessenta dias.

O Memorando pelo fim dos conflitos no Irã, que deve ser assinado na sexta-feira, significa que as partes aceitam negociar sobre pontos que depois vão virar um acordo final.  Uma segunda rodada de negociações pode levar 60 dias.


FONTE: Agência Brasil

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