Exagero? Creio que não. O Brasil parece condenado a viver sob uma sucessão interminável de escândalos. Quando um começa a perder força, outro já ocupa as manchetes. O mais preocupante é que grande parte da população parece ter se acostumado a essa realidade, a ponto de muitos casos já não influenciarem sequer as preferências políticas do eleitor.
Instalou-se um perigoso conformismo: “todos roubam”, dizem alguns, “resta escolher o menos esperto”. É uma triste constatação para um povo que nunca teve tanto acesso à informação e, paradoxalmente, parece cada vez menos disposto a reagir. Fazemos de conta que não vemos, e a “bagaceira” que não é a célebre obra do escritor paraibano José Américo de Almeida continua descendo ladeira abaixo.
Agora é a vez do caso envolvendo o Banco Master. O escândalo já alcança nomes de grande peso na República, como Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do Progressistas (PP); Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal; Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados; e o senador Flávio Bolsonaro.
Entretanto, uma das repercussões mais expressivas atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-governador da Bahia por dois mandatos, ex-ministro dos governos petistas e atual líder do governo Lula no Senado Federal.
Enquanto isso, o caso vai sendo empurrado com a barriga. O povo, entretido com a Copa do Mundo e com os festejos juninos no Nordeste, parece dedicar menos atenção a essas denúncias. E ainda há relatos envolvendo integrantes do Poder Judiciário e familiares de autoridades. Diante de um cenário assim, surge uma pergunta inevitável: quem terá autoridade moral para julgar os envolvidos?
A sensação de impunidade cresce. Em muitos dos principais veículos de comunicação do país, especialmente nos grandes centros do Sul e Sudeste, percebe-se um silêncio que acaba se espalhando para outras regiões. O assunto perde espaço, o interesse diminui e o escândalo segue seu curso.
Até quando?
O Brasil continua sendo uma nação bela, forte e cheia de potencial. Mas, diante de tantos episódios que se repetem sem solução aparente, é difícil enxergar uma luz no fim do túnel.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
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