Enquanto no Ceará a competente Justiça Eleitoral agiu com firmeza, em Cabedelo o futuro político do prefeito cassado André Coutinho ainda está por um fio à espera do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Os casos são incrivelmente parecidos, mas por enquanto, os desfechos ainda seguem ritmos diferentes.
Na tarde de ontem (1º), o TRE do Ceará confirmou por unanimidade a cassação do prefeito de Santa Quitéria, Braguinha, após robustas provas de que sua campanha foi financiada por uma facção criminosa. O tribunal determinou a anulação dos votos e a realização de novas eleições no município. O entendimento: a soberania popular foi corrompida pelo crime.
Na Paraíba, o processo contra o prefeito de Cabedelo, André Coutinho, ainda está em tramitação. A sentença de primeira instância já foi dada: cassação do mandato por abuso de poder econômico e político, compra de votos, promessas de cargos comissionados e indícios de envolvimento com uma organização criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”, com possível vínculo com o Comando Vermelho.
Cassado, André Coutinho recorreu da decisão, e cabe agora ao TRE-PB julgar o caso em grau de recurso. A cidade segue em estado de expectativa — ou seria de negação?
Em Santa Quitéria, ficou provado que a facção indicou nomes para cargos, financiou a campanha e coagiu eleitores. Em Cabedelo, o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal apontam uso de cestas básicas, transferências via Pix, nomeações políticas atreladas à facção, e até comprovantes de votação apreendidos em celulares de intermediários.
A pergunta que circula em silêncio na cidade e nos bastidores: se o TRE-CE viu crime e cassou, por que o TRE-PB hesitaria diante de elementos semelhantes? (ou até mais graves?)
Enquanto Braguinha já perdeu o mandato e a cidade cearense se prepara para nova eleição, André Coutinho permanece no cargo graças a uma liminar, governando sob a sombra de um processo explosivo, denúncias de interferência criminosa e uma gestão já marcada por denuncias de salários atrasados, obras paralisadas e um déficit acumulado de mais de R$ 57 milhões apenas entre janeiro e maio de 2025, além de restos a pagar que ultrapassam R$ 74 milhões.
Será que o eleitor de Cabedelo também foi enganado nas urnas? Ou será que a Justiça da Paraíba seguirá o exemplo do Ceará e devolverá ao povo o poder de escolha, desta vez sem pressão, sem favores, sem cestas básicas e sem facção?










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