Cabedelo completa hoje um ano desde a eleição de André Coutinho. O que deveria ser um marco de renovação política se transformou em um período de instabilidade, escândalos e desorganização administrativa. Desde que assumiu o comando da cidade, o prefeito André Coutinho acumula denúncias, desgastes e crises que paralisaram o funcionamento da máquina pública.
Cassação e denúncia do MPF: a sombra da Justiça
Em primeira instância, André Coutinho foi cassado e declarado inelegível por oito anos.
A decisão, originada de denúncia do Ministério Público Federal, aponta o prefeito como integrante de uma organização criminosa responsável por corrupção eleitoral, compra de votos e uso indevido da estrutura pública durante o pleito. Pessoas ligadas a facções criminosas teriam sido nomeadas em cargos municipais, e verbas públicas teriam sido desviadas para fins eleitorais. Mesmo com provas contundentes, Coutinho segue no cargo amparado por recursos e medidas judiciais.
Gastos escandalosos e festas em plena crise
Em vez de austeridade, a gestão de André Coutinho tem sido marcada por gastos excessivos e decisões questionáveis. Conforme revelou o Política PB, o prefeito promoveu eventos festivos em meio a um cenário de crise financeira, ignorando decretos de contenção de despesas e priorizando gastos supérfluos enquanto a cidade mergulhava em colapso. O contraste entre o luxo das festas e o abandono dos serviços públicos expõe o descompasso entre o discurso e a prática.
Crise administrativa: servidores e população penalizados
Cabedelo vive hoje um colapso administrativo generalizado. Servidores municipais sofreram com atrasos salariais inéditos em mais de duas décadas dos seus décimos terceiro, professores relatam dificuldades para receber estes proventos, e a insatisfação se espalha entre as categorias do funcionalismo.
Ainda na educação, escolas municipais operam em situação precária, com infiltrações, salas sem ventilação e carência de materiais básicos. Professores denunciam o abandono e a ausência de investimentos.
Na saúde, o cenário é ainda mais grave: faltam medicamentos, profissionais e insumos em unidades básicas, enquanto pacientes enfrentam longas filas e desassistência.
Em meio a esse caos, o prefeito ainda impôs o polêmico aumento do IPTU, medida aprovada pela Câmara sob sua influência direta. O reajuste provocou indignação popular e protestos de moradores.
O resultado é uma cidade estagnada, com servidores desmotivados, serviços essenciais em colapso e um governo que se mostra incapaz de responder às demandas mais básicas da população.
O cerco se fecha: Prefeito André Coutinho sob recolhimento e mira da PF
A segunda fase da Operação Em Passant escancarou o caos no poder cabedelense. André Coutinho, eleito sob suspeita, passou a cumprir recolhimento domiciliar noturno e está proibido de manter contato com outros investigados. As medidas, impostas pela Justiça Eleitoral, surgem após a Polícia Federal apontar fortes indícios de ligação entre o grupo político e uma facção criminosa que teria manipulado votos e ocupado cargos públicos em troca de influência.
A cidade, que esperava mudança, agora vê seu prefeito cercado por investigações, restrições e descrédito, símbolo do colapso ético e moral que domina Cabedelo.
Cabedelo exposta: “cidade tomada pelo tráfico dentro dos órgãos públicos”
Os desdobramentos da Operação Em Passant e o avanço das investigações do GAECO e da Polícia Federal revelaram uma verdade estarrecedora: Cabedelo foi literalmente tomada pelo tráfico infiltrado dentro dos órgãos públicos. O escândalo atingiu o coração do poder municipal e expôs a relação promíscua entre agentes políticos e o crime organizado.
Durante coletiva, o coordenador do GAECO, promotor de Justiça Octávio Paulo Neto, foi categórico ao afirmar: “Cabedelo é uma cidade tomada pelo tráfico dentro dos órgãos públicos.” A frase, dura e simbólica, sintetiza o abismo ético e moral em que o município mergulhou.
As investigações apontam que o crime organizado usou a estrutura da Prefeitura para se beneficiar com cargos, contratos e influência política. O sistema, segundo o Ministério Público, funcionava como um verdadeiro “tabuleiro de poder”, onde o voto, o cargo e o favor se misturavam em uma engrenagem criminosa.
Perspectiva: desgaste e incerteza
O processo de cassação segue em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE/PB), e a Procuradoria Regional Eleitoral mantém parecer favorável à manutenção da sentença. O clima em Cabedelo é de desgaste, desconfiança e desesperança.
Um ano após a vitória nas urnas, Cabedelo não tem o que comemorar.
A gestão Coutinho se tornou sinônimo de crise, desordem e retrocesso, deixando a população refém de uma administração que prometeu mudança e entregou instabilidade.










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