No que deveria ser um dia de alívio para os servidores públicos de Cabedelo, transformou-se em indignação e revolta. O prefeito André Coutinho, que havia anunciado com pompa e alarde nas redes sociais o pagamento da primeira parcela do 13º salário para esta terça-feira, 18 de junho, não cumpriu integralmente a promessa feita ao funcionalismo público.
Em sua postagem de maio, André Coutinho declarou:
“Essa organização reforça o compromisso e o respeito da gestão com o funcionalismo público… Tudo rápido, fácil e transparente, do jeitinho que tem que ser!”
Porém, nesta quarta-feira (18), o que se viu foi exatamente o oposto. Apenas servidores que recebem até R$ 6 mil foram contemplados com o pagamento da parcela prometida. Os demais — aqueles que também dedicam sua força de trabalho ao município — foram deixados de lado, à espera de uma explicação convincente.
A justificativa apresentada? Um Decreto de Contingenciamento, segundo o qual a prefeitura alega buscar o “equilíbrio fiscal”. Mas o que soa como prudência administrativa revela, na verdade, uma grave contradição e desrespeito à prioridade orçamentária.
Meias-verdades são perigosas porque carregam o disfarce da honestidade, mas escondem a essência da realidade. Ao anunciar o pagamento da primeira parcela do 13º como se fosse integral, a gestão pratica exatamente isso: uma meia-verdade — e, portanto, uma meia-mentira. A omissão de que parte dos servidores ficou de fora do pagamento é tão grave quanto uma promessa não cumprida.
Quando é festa, o dinheiro aparece
Documentos públicos revelam que a mesma gestão que “precisa conter gastos” para não pagar integralmente os servidores, vai desembolsar a impressionante quantia de R$ 490 mil para o show de uma banda que tocará por pouco mais de duas horas durante os festejos juninos da cidade.
Sim, você leu certo: meio milhão de reais para duas horas de música, enquanto centenas de servidores ficaram sem receber o que lhes foi garantido.
O contrato da atração, que a reportagem teve acesso (imagem abaixo), mostra valores que beiram o escárnio diante do discurso de austeridade que a gestão tenta sustentar. Em resumo: falta dinheiro para honrar com os trabalhadores, mas sobra para o “pão e circo”.
Uma gestão que escolhe o aplauso do palco e ignora o suor do servidor
Essa manobra de dividir o funcionalismo em quem merece receber e quem pode esperar, é um atestado público de incompetência administrativa e desorganização financeira. Uma gestão que se orgulha da “transparência” não deveria esconder a realidade por trás de desculpas prontas.
Prometer publicamente e depois restringir os pagamentos com base em um teto de R$ 6 mil — sem sequer mencionar isso previamente — é enganar, ludibriar e brincar com quem move a máquina pública.
E mais: utilizar uma rede social para divulgar promessas e depois tentar minimizar o estrago com explicações técnicas de última hora apenas amplia a sensação de descaso.
Prioridade invertida, gestão desacreditada
O cenário deixa claro: André Coutinho trocou o compromisso com o funcionalismo pela euforia dos palcos, numa tentativa de conquistar aplausos à custa do sofrimento de quem deveria ser valorizado. O “respeito” ao servidor, tão repetido em peças publicitárias, foi enterrado sob as luzes coloridas dos trios e palcos pagos a preço de ouro.
E fica a pergunta que ecoa entre os corredores das repartições públicas:
Se a prefeitura não consegue pagar integralmente o 13º em junho aos servidores, como garantirá que o restante será honrado em dezembro?
Enquanto o som do forró ecoa nas festas da cidade, o silêncio da indignação cresce entre os servidores esquecidos. Afinal, promessa de campanha e anúncio em redes sociais não enchem geladeira nem pagam contas.
A postagem do instagram do prefeito no dia de hoje (18.06)











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