Cabedelo volta ao epicentro do escândalo político-judicial que ameaça implodir a atual gestão municipal.
Esta semana, no último dia 27 de maio, a Justiça Eleitoral realizou uma audiência decisiva no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE nº 0600409-84.2024.6.15.0057), que apura graves denúncias de abuso de poder econômico e político por parte do prefeito André Coutinho e o ex-prefeito Vitor Hugo, todos investigados no bojo da operação En Passant.
A audiência, conduzida pela juíza eleitoral Thana Michelle Rodrigues, expôs a fragilidade da defesa de Coutinho, que prescindiu da oitiva de todas as testemunhas que havia arrolado — um movimento considerado por especialistas como sinal de estratégia defensiva pouco robusta diante das acusações.
Enquanto o Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou seis testemunhas, cujos depoimentos reforçaram a linha investigativa sobre compra de votos, vínculos com organização criminosa e uso da máquina pública para fins eleitorais, a defesa de André Coutinho e dos demais investigados limitou-se a sustentar formalmente sua inocência, sem contra-argumentar com testemunhos de peso.
Um ponto delicado ocorreu com a testemunha Josenilda Batista dos Santos, que teve seu compromisso legal indeferido após ser contraditada pela defesa de Coutinho por ocupar cargo comissionado na Prefeitura — o que poderia indicar conflito de interesses e comprometimento da isenção de seu testemunho. A magistrada acatou a contradita e colheu o depoimento apenas como declarante.

No dia 19 de dezembro de 2024, o próprio prefeito publicou em suas redes sociais a confirmação da continuidade de Josenilda à frente da Secretaria de Administração. A legenda exaltava sua atuação e afinidade com a gestão.
Além disso, o MPE solicitou diligências relevantes: a apuração do total de votos nas eleições de 2024 e a atualização sobre o andamento da operação policial que fundamenta a AIJE. Também foi requisitado à Polícia Federal um relatório sobre homicídios em áreas dominadas pela facção Tropa do Amigão no segundo semestre de 2024, além de dados que liguem diretamente a ré Flávia Monteiro à atuação do grupo criminoso.
A juíza deferiu todas as diligências e, por iniciativa própria, determinou que fossem apurados os antecedentes criminais de diversos envolvidos com a facção, incluindo o traficante Fatoka (Flávio Monteiro), cuja irmã, Flávia Monteiro, é ex-servidora municipal e figura central na teia de relações reveladas pela operação En Passant.
A peça judicial também menciona a investigação sobre um ex-assessor do vereador “Dinho” e a verificação de seu comparecimento às urnas — evidência que pode indicar manobra eleitoral.
A expectativa agora é pela apresentação das alegações finais por escrito, o que antecede a decisão judicial que poderá levar à cassação de mandatos, inelegibilidade ou até desdobramentos penais.
O processo corre sob segredo de justiça, mas os sinais emitidos na audiência pública revelam um cenário sombrio para a permanência de André Coutinho no comando da prefeitura. O que parecia ser apenas um desdobramento da gestão anterior, agora se mostra como um sistema ainda em operação — com ramificações perigosas entre o poder público e o submundo do crime organizado.










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