Era madrugada em Roma quando os sinos dobraram. Não por um Papa que assumia, mas por um Francisco que partia. O mundo acordou mais silencioso, e o céu, dizem os antigos, se abriu para acolher um peregrino da esperança. Hoje, 21 de abril de 2025, o Papa Francisco fez sua Páscoa. Cruzou, com passos cansados e firmes, a última fronteira entre a fé e a promessa.
Mais um Francisco nos deixou.
Mas talvez, como preferem dizer os que creem com o coração, ele não partiu — ele voltou. Voltou à casa do Pai. Voltou para junto d’Aquele que, um dia, também olhou para outro Francisco, o de Assis, e lhe pediu: “Reconstrói a minha Igreja”.
E foi isso que ambos fizeram.
São Francisco de Assis, com sua radical pobreza e amor por todas as criaturas, reensinou à Igreja a simplicidade do Evangelho. Papa Francisco, com sua ternura corajosa, reensinou a Igreja a olhar o mundo com os olhos da misericórdia. O primeiro despiu-se de tudo; o segundo, das pompas. Um com os pés na terra e os olhos no céu; o outro, com a alma no Evangelho e o coração nos que sofrem.
Francisco de Assis e Francisco de Buenos Aires deixaram rastros — e que rastros! Com eles, a Igreja redescobriu o essencial: ser hospital de campanha, casa de portas abertas, voz dos sem voz. Papa Francisco nos ensinou a sonhar com uma fraternidade universal, a amar a Casa Comum, a escutar os clamores que vêm da periferia.
Hoje, ao imaginar sua chegada ao Céu, penso em São Francisco estendendo-lhe as mãos. Dois homens com o mesmo nome e o mesmo espírito, reunidos na eternidade. E nós, aqui, com lágrimas nos olhos e gratidão no coração, seguimos.
O mundo perdeu um Francisco. O Céu ganhou mais um. E nós ficamos com a missão de continuar reconstruindo. Como eles fizeram.
Obrigado, Papa Francisco. Vá em paz. A Igreja, sua amada Igreja, jamais será a mesma.










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