Terceira matéria da série “7 anos da Xeque-Mate”, que revisita os protagonistas e bastidores da maior operação de combate à corrupção da história de Cabedelo.
A Operação Xeque-Mate revelou o funcionamento de uma verdadeira máquina criminosa dentro da política cabedelense, sustentada por alianças, omissões e lealdades inquebráveis. Entre os nomes que circularam na teia de poder montada por Leto Viana, aparece o de Jacqueline Monteiro França, figura de bastidor cuja influência nos corredores da Câmara Municipal foi tema de relatos e depoimentos analisados pelo GAECO e pela Polícia Federal.
De acordo com trechos da denúncia do Ministério Público da Paraíba, Jacqueline foi citada como pivô de disputas internas na Câmara de Vereadores, sendo o nome que parte do grupo político ligado a Leto queria ver no comando da Casa Legislativa após as eleições de 2016. O colaborador premiado relatou que, naquele momento, formou-se um grupo de vereadores, incluindo aliados e opositores de Leto, com o objetivo de impedir que Jacqueline fosse eleita presidente da Câmara, revelando o grau de articulação e tensão dentro da própria base governista.
O depoimento descreve com precisão o clima de guerra política. Segundo o colaborador, na eleição de 2016 juntaram-se alguns vereadores, inclusive da base do prefeito, para impedir que Jacqueline assumisse a presidência da Câmara. O movimento foi liderado por Josuel, com apoio de Geusa Dornelas, Tercinho, Vítor Hugo, Moacir, Fabiana Régis, Eudes e Belmiro, todos articulando a criação de um grupo independente que buscava dividir cargos e manter autonomia em relação ao Executivo. A iniciativa contrariava diretamente os planos de Leto Viana, que desejava manter o controle total do Legislativo.
O Ministério Público destacou que Jacqueline Monteiro França representava, à época, uma das figuras de confiança do núcleo político liderado por Leto Viana, o que justificava o esforço de adversários em barrar sua ascensão. O episódio, relatado nas investigações, ilustra como o poder de Leto se estendia por todas as instâncias da administração cabedelense, incluindo as articulações internas da Câmara Municipal.
A menção a Jacqueline reforça o retrato de uma estrutura política dominada por interesses pessoais e estratégicos, onde cada cargo era parte de um xadrez cuidadosamente calculado para manter o domínio da organização criminosa sobre os dois poderes da cidade. Embora não tenha sido denunciada formalmente como integrante da ORCRIM, seu nome figura entre os17 personagens que orbitavam o centro decisório do esquema e cujas alianças foram determinantes para os rumos da política local.
Em 2024, Jacqueline Monteiro França voltou à cena política, desta vez como candidata à Prefeitura de Cabedelo pelo partido PODEMOS, conquistando 3.001 votos. Ela ficou em terceiro lugar, atrás do deputado federal Walber Virgolino, que ficou em segundo, e do prefeito eleito André Coutinho, do partido Avante. O resultado confirmou que, mesmo após sete anos da deflagração da Xeque-Mate, seu nome ainda ressoa entre os eleitores, consolidando-se como uma figura de influência e permanência no cenário político cabedelense.










Deixe um comentário