Fabrício Magno: o “mensageiro da corrupção” que manteve viva a ORCRIM de Cabedelo

Fabrício Magno: o “mensageiro da corrupção” que manteve viva a ORCRIM de Cabedelo

Hoje, 3 de abril, marca o aniversário de 7 anos da Operação Xeque-Mate, deflagrada em 2018, em Cabedelo, pela Polícia Federal. A investigação teve grande repercussão, desdobrando-se em várias fases e resultando na prisão de políticos, auxiliares de Leto Viana e empresários.

O portal POLÍTICA PB inicia hoje uma série especial sobre os políticos envolvidos na Operação Xeque-Mate que foram eleitos nas eleições de 2024.

Em pleno caos político de Cabedelo, enquanto a Operação Xeque-Mate desmantelava o esquema de corrupção que transformou a cidade em um feudo do crime político, um nome emergia das sombras como o verdadeiro “elo” entre o poder e a delinquência. O então secretário de Comunicação, Fabrício Magno Marques de Melo Silva, foi apontado pelo Ministério Público como o porta-voz do prefeito preso Leto Viana, articulando, de dentro das grades, a continuidade da organização criminosa (ORCRIM) que saqueava os cofres públicos.

De acordo com a denúncia do GAECO/MPPB, Fabrício Magno foi o emissário direto do prefeito preso. Enquanto Leto Viana era mantido no 5º Batalhão da Polícia Militar, Fabrício circulava livremente, transmitindo ordens, articulando cargos e reunindo vereadores para assegurar que o comando do município permanecesse sob o domínio da quadrilha. O documento é explícito:

“Fabrício Magno, seu porta-voz, planejava, em uma reunião, a continuidade da empresa criminosa implementada desde 2013.”

A investigação revelou que Fabrício foi o coordenador da reunião clandestina realizada no restaurante Picuí, em Intermares, na noite de 3 de abril de 2018, apenas horas após a prisão de Leto Viana e de outros líderes do esquema. Imagens e interceptações telefônicas mostram que ele manteve contato direto com vereadores e suplentes, entre eles Vítor Hugo, que viria a ser escolhido prefeito interino, e Geusa Dornelas, futura presidente da Câmara. A escolha dos nomes foi ordenada diretamente da prisão por Leto Viana, com Fabrício como mensageiro da trama.

Segundo os relatórios da Polícia Federal, Fabrício foi quem executou as ordens para garantir a “sobrevida” da ORCRIM, oferecendo vantagens políticas e financeiras aos parlamentares que aceitassem manter a engrenagem criminosa ativa. Nas palavras do Ministério Público:

“a ordem de Leto Viana para Fabrício Magno tratar do oferecimento de vantagem indevida a Vítor Hugo e Geusa Dornelas visava a continuidade do domínio político e da prática ilícita no Executivo e Legislativo de Cabedelo.”

Em um enredo que mais parece saído de um roteiro de máfia, Fabrício Magno surge como o operador fiel e silencioso do esquema, responsável por manter a comunicação entre o líder encarcerado e seus cúmplices em liberdade. A investigação aponta que ele visitou Leto Viana várias vezes no presídio, conforme confirmou um delator. Nas palavras do delator:

“o prefeito Leto Viana articulou, de dentro da prisão, como queria que fosse a nova administração, e a pessoa encarregada de fazer essa articulação foi Fabrício Magno.”

As provas reunidas pelo GAECO e pela Polícia Federal deixam claro que Fabrício não era um simples servidor, mas um dos pilares de sustentação da ORCRIM, cuja função era garantir que o poder permanecesse nas mãos do grupo mesmo após a prisão de seus principais integrantes. Ao lado de políticos e empresários, ele ajudou a manter vivo o projeto criminoso que corrompeu instituições, manipulou eleições e dilapidou recursos públicos em Cabedelo.

Fabrício Magno foi formalmente denunciado pelo Ministério Público por integrar a Organização Criminosa (art. 2º da Lei 12.850/2013), a mesma estrutura que desviava verbas, criava cargos fantasmas e comprava mandatos no Legislativo municipal. Sua participação, segundo o próprio órgão acusador, foi “essencial para a perpetuação do esquema de corrupção que saqueou a cidade”.

Fabrício Magno foi eleito vereador nas últimas eleições de 2024 e teve como padrinho político o então prefeito Vitor Hugo.

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Ivaldo Lima

Graduado em Sistema para Internet e Comunicação Social, Radialista com especialização em Marketing Digital!
Graduando em Teologia Católica.
Pós-Graduação em Doutrina Social da Igreja e Ordem Social!