Há quem pense que o tempo é um Sonrisal — aquele remédio milagroso que dissolve qualquer azia, apaga qualquer desconforto e faz a dor política passar num instante.
Em 2024, os escândalos explodiram, trazendo à tona histórias que não cabem em nota de rodapé. Mandados, prisões, denúncias, medidas cautelares e suspeitas que abalaram estruturas, mexeram com vaidades e deixaram rastros evidentes.
Mas bastou a poeira baixar para alguns retomarem seus passos como se nada tivesse acontecido, confiantes que o relógio apagaria seus passados problemáticos. Como se nestes casos, o tempo realmente fosse um remédio que cura tudo.
O que esqueceram é que, na política, não existe antídoto que funcione para o veneno do descrédito. Os processos continuam, as investigações avançam em silêncio e a Justiça tem uma paciência que poucos conhecem, mas que é traiçoeira quando chega a hora do troco.
Enquanto isso, rostos que tentam reaparecer em palanques e eventos se esquecem de que o eleitor também tem memória — e, diferente dos políticos, não é seletiva. Trocar de figurino ou ensaiar discursos de renovação não basta para apagar o cheiro persistente de suspeita e escândalos.
A aposta na complacência e no esquecimento coletivo é uma aposta arriscada. Porque o tempo, afinal, não é Sonrisal: não dissolve mágoas nem apaga culpados. Ele apenas amadurece as histórias e reforça as marcas — e em ano eleitoral, essas marcas pesam mais do que qualquer promessa vazia.
Quem se envolveu em escândalos e pensou que poderia virar a página sem enfrentar as consequências, descobrirá, em breve, que algumas dívidas continuam pendentes, esperando para serem cobradas no momento certo.










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