A recente aparição pública do deputado estadual Walber Virgolino ao lado de André Coutinho, ex-prefeito cassado de Cabedelo, e de Ricardo Barbosa, presidente da Companhia Docas da Paraíba e filiado ao PSB, levanta um debate inevitável sobre coerência política. Walber construiu sua imagem como opositor contundente ao governo de André Coutinho e do governador João Azevêdo, além de tudo o que orbita o governo do PSB. Ricardo Barbosa não é um personagem periférico dessa estrutura. Ele ocupa um cargo de confiança estratégica, nomeado pelo próprio governador, e comanda um dos principais ativos econômicos do estado, o Porto de Cabedelo. A fotografia, portanto, não é apenas um registro casual. Ela carrega simbolismo político e contradições difíceis de ignorar.
O mesmo Walber Virgolino que hoje posa sorridente ao lado do prefeito cassado André Coutinho é aquele que, até pouco tempo atrás, fazia duras críticas à sua gestão em Cabedelo. Em discursos públicos, chegou a questionar a origem de recursos utilizados por Coutinho para a aquisição de um imóvel enquanto exercia o cargo de prefeito, insinuando irregularidades e levantando suspeitas sobre seu patrimônio. André Coutinho acabou tendo o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, o que, em tese, deveria reforçar o discurso moralista e fiscalizador adotado por Walber. No entanto, a reaproximação em pleno contexto de eleição suplementar indica que as críticas parecem ter prazo de validade quando confrontadas com interesses eleitorais.
O episódio também escancara um oportunismo político calculado. Ao se aproximar simultaneamente de um ex-prefeito cassado e de um dirigente do PSB, partido do governo que ele combate retoricamente na Assembleia Legislativa, Walber transmite a mensagem de que a oposição pode ser flexível quando o cenário favorece algum tipo de ganho político. O discurso de enfrentamento ao governo João Azevêdo perde força quando o opositor se associa, ainda que informalmente, a um auxiliar da gestão estadual em Cabedelo. Isso enfraquece a narrativa de independência e coloca em dúvida a autenticidade das críticas feitas ao longo dos últimos anos.
No fundo, o gesto de Walber reforça a percepção de que, para certos atores políticos, a coerência ideológica é secundária diante da conveniência do momento. A imagem sugere que antigas denúncias, discursos inflamados e posturas intransigentes podem ser rapidamente relativizados quando o tabuleiro eleitoral exige novas alianças. Para o eleitor, fica a sensação de que princípios são facilmente negociáveis e que, na prática, tudo pode ser justificado em nome do poder.










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