Existe uma linha clara entre gratidão e submissão, mas muita gente prefere confundir as duas quando o assunto é poder. Reconhecer quem ajudou é maturidade. Permitir que essa ajuda vire autorização permanente para tutelar, interferir ou decidir já é abdicação de liderança. Como ensina a política real, autoridade que não se exerce vira vácuo. E vácuo, em política, sempre é ocupado por quem não aceita sair de cena.
Na faculdade, ao pagar a cadeira de psicoteologia e as relações entre ego, poder e identidade, aprende se que há sujeitos que passam a confundir missão com espelho. O cargo deixa de ser instrumento de serviço e passa a ser extensão do próprio eu. Quando esse lugar é perdido, não se elabora a perda, tenta se manter o controle simbólico. Surgem então comportamentos típicos de narcisismo político, marcados pela necessidade de centralidade, validação e tutela sobre os outros. Não é mais projeto coletivo. É a tentativa de manter o próprio reflexo vivo no cenário público.
O risco para quem está no comando é permitir que essa dinâmica se normalize. A cidade percebe quando muda o nome, mas não muda quem manda. Gratidão não pode virar dependência emocional nem política. Liderança exige autonomia. Porque, no fim, quem governa precisa parecer dono do próprio caminho. E quem vive da sombra do poder raramente quer servir. Quer apenas continuar sendo visto, reverenciado e obedecido.
Porque, no fundo, o verdadeiro sinal de maturidade política é saber fazer o luto do poder e aceitar que a cadeira continua, mesmo quando o ego já não pode mais sentar nela.
E parafraseando a bíblia: “Quem tem ouvidos, ouça!”.










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