Cabedelo vive tempos curiosos. Enquanto o Ministério Público Eleitoral acusa o prefeito André Coutinho de práticas como aliciamento de eleitores, a Câmara Municipal… silencia. E não é um silêncio qualquer — é quase um mantra zen, uma meditação profunda diante do caos.
O que explica tanto comedimento?
O medo de perder os cargos comissionados dos apadrinhados, talvez? Afinal, diz a sabedoria política local: “Quem indica, não critica.” E em Cabedelo, ao que parece, a lógica é simples — quanto mais nomes na folha da prefeitura, menos dedos apontando para os desmandos.
Enquanto o povo pergunta, a Câmara reza. Reza pela harmonia entre os poderes, claro.
Uma harmonia que, segundo a Polícia Federal, coincidentemente, é mantida à base de nomeações estratégicas, favores cruzados e um caderno de anotações que talvez só Fatoka e Flávia saibam decifrar completamente.
É impossível não notar o constrangimento cênico. A cada novo escândalo, a Câmara faz cara de paisagem, toma um gole de café, olha para o teto e finge que nada está acontecendo. Uma CPI? Uma audiência pública? Uma nota de repúdio? Nem pensar. Vai que o prefeito se irrita e começa a demitir os indicados de cada vereador?
André Coutinho governa em “paz”. Não porque tudo vai bem, mas porque os fiscais do povo parecem mais preocupados em manter suas vagas na estrutura do poder do que em cumprir sua função institucional. Não é oposição, é obediência. Não é fiscalização, é reverência.
A pergunta que não quer calar é: a Câmara de Cabedelo virou um puxadinho do gabinete do prefeito ou apenas tem medo de cortar o próprio umbigo?
Uma cidade inteira paga para ver esse teatro onde os vereadores, de tão silenciosos, parecem ter sido nomeados para cargos de confiança — não pelos votos, mas pela conveniência.










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