A política, quando observada com um mínimo de atenção histórica, raramente surpreende.
Em Cabedelo, o ex-vereador Márcio Silva cumpriu com rigor o papel do aliado fiel, daqueles que não apenas defendem um líder, mas se expõem por ele. Foi assim quando entrou em confronto direto com o deputado Walber Virgolino, chamando-o publicamente de oportunista e camaleônico, num embate que ganhou ampla repercussão na imprensa paraibana e nas redes sociais.
Márcio não falava apenas por si, mas como escudo político de um projeto comandado por André Coutinho, à época ainda senhor do tabuleiro político de Cabedelo.
O problema da fábula não está no escorpião, mas na insistência do sapo em ignorar a natureza de quem carrega. Cassado e politicamente enfraquecido, André Coutinho ressurge em cena posando para fotos ao lado de Walber Virgolino, como se o passado recente fosse um detalhe irrelevante ou um erro de digitação na biografia política. A fotografia, amplamente divulgada, não é apenas um registro casual, mas uma aula prática de pragmatismo sem pudor, onde convicções são descartadas com a mesma facilidade com que se troca o enquadramento da câmera.
No fim, Márcio Silva cumpre o destino clássico dos aliados úteis, enquanto André Coutinho confirma que, na sua lógica política, fidelidade é apenas um recurso temporário. O escorpião não trai por maldade, mas por coerência com sua própria essência. A moral da história dispensa explicações longas e desnecessárias: quem usa pessoas como ponte não costuma se importar com quem se afoga no meio do rio. E para ingratos e traidores, como a literatura, a história e a política ensinam, o desfecho nunca é uma surpresa, apenas uma repetição.










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