O prefeito de Cabedelo, André Coutinho (Avante), permanece sob medidas cautelares impostas pela Justiça Eleitoral da Paraíba, em razão das investigações que apuram suposto envolvimento com crimes eleitorais e associação com grupos criminosos. Uma das principais restrições em vigor é a proibição de contato entre ele e o ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano, também investigado na mesma operação.
A determinação judicial impede qualquer forma de comunicação entre os dois, como forma de preservar a integridade das investigações, coibir conluios e evitar a destruição de provas. Ambos também seguem obrigados a cumprir recolhimento domiciliar noturno, devendo permanecer em suas residências entre 22h e 6h.
As medidas são consequência direta dos avanços da Operação En Passant, que expôs um possível esquema de cooptação do poder público por facções criminosas para obtenção de vantagens políticas e administrativas.
Na semana passada, durante audiência da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE nº 0600409-84.2024.6.15.0057), a Justiça Eleitoral desqualificou uma das testemunhas arroladas pela defesa de André Coutinho. A testemunha em questão é a atual secretária de Administração de sua gestão, Josenilda Batista dos Santos.
A juíza eleitoral Thana Michelle Rodrigues, da 57ª Zona Eleitoral, acatou a contradita apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, uma vez que a servidora exerce cargo comissionado nomeada diretamente pelo investigado. Em razão disso, Josenilda foi ouvida apenas como declarante, e seu depoimento perdeu o peso jurídico de uma testemunha imparcial.
O episódio evidenciou mais uma vez a fragilidade da linha de defesa de Coutinho, que tenta se desvencilhar das acusações utilizando recursos pouco eficazes diante da gravidade do processo.
A operação, conduzida pela Polícia Federal com apoio do Ministério Público Eleitoral, investiga a suposta influência de uma facção criminosa conhecida como Tropa do Amigão, ligada ao Comando Vermelho, nas eleições municipais de 2020 e 2024.
Segundo as apurações, o grupo teria atuado para interferir diretamente no pleito, negociando votos em troca de cargos públicos, benefícios e controle de áreas estratégicas da gestão municipal. As investigações envolvem crimes como:
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Organização criminosa
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Coação de eleitores
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Lavagem de dinheiro
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Peculato
Mandados de busca e apreensão já haviam sido cumpridos em órgãos da Prefeitura, como a Secretaria de Administração e o setor de Recursos Humanos, de onde partiram diversas nomeações apontadas como suspeitas.
As medidas cautelares em vigor e o enfraquecimento da defesa jurídica colocam André Coutinho em posição política delicada. A tentativa de sustentar sua inocência com depoimentos de aliados diretos — como o caso da secretária — apenas reforça as dúvidas sobre a conduta ética da gestão e seu comprometimento com a legalidade.
O silêncio do prefeito diante dos desdobramentos da investigação e a ausência de explicações públicas sobre sua relação com os demais envolvidos aumentam o distanciamento entre a administração municipal e a opinião pública.
O processo judicial segue avançando, e o prefeito André Coutinho segue no centro da crise. Impedido de manter contato com o ex-prefeito Vitor Hugo, enfrentando restrições pessoais e desgaste institucional, Coutinho vê seu mandato sob crescente ameaça jurídica e política.
Em uma cidade marcada por escândalos, a pergunta que se impõe é: até quando Cabedelo suportará gestões envolvidas em denúncias tão graves?










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