Na Assembleia Legislativa da Paraíba, alguns deputados parecem ter feito um curso intensivo de atuação dramática: quando o assunto é o bravo conselheiro Marcus Vinícius — o único com coragem suficiente para questionar a nomeação de Allana Galdino ao TCE — eles rugem como leões. Já quando se trata de votar as contas reprovadas do ex-governador Ricardo Coutinho, bom… aí viram gatinhos mansos, silenciosos e de olhos fechados.
Marcus, o audaz, foi o único a votar contra a nomeação de Allana, mostrando que ainda existe dignidade no meio do pântano. E o que fez a Assembleia? Foi à caça. Invocaram até o Supremo Tribunal Federal para tentar tirar o conselheiro da jogada. Uma dedicação comovente — ou seria conveniente?
Enquanto isso, as contas de Ricardo Coutinho — aquele mesmo, denunciado em escândalos de corrupção que dariam vergonha até em roteirista de série policial — continuam confortavelmente guardadas no fundo da gaveta. Seria por acaso? Ou seriam justamente os escândalos o motivo da paralisia súbita de alguns deputados? Medo de ferir alguma ferida aberta? Ou receio de que, ao tocar em Ricardo, alguns fantasmas saiam dos armários… e dos gabinetes?
Fica a pergunta filosófica (e irônica): o que pesa mais na balança da moralidade da Assembleia? A indicação de uma conselheira ou as contas reprovadas de um ex-governador enrolado até o pescoço?
E sobre Marcus Vinícius — que ousou discordar da manada e dizer “não” onde todos disseram “sim” — deixamos aqui uma frase de Sêneca, para encaixá-lo dignamente na história:
“Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos. É porque não ousamos que elas se tornam difíceis.”
Marcus ousou. Já outros… preferiram o conforto das sombras.










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