Por Redação PolíticaPB
Enquanto o servidor municipal de Cabedelo tenta sobreviver com reajustes tímidos que variam entre 5% a 7%, em um cenário de contenção de gastos imposto por decreto do próprio prefeito, a primeira-dama do município, Nathalia Palmeira Silva Coutinho, protagoniza uma impressionante ascensão salarial que soa quase como um deboche ao trabalhador comum.
Segundo dados públicos do Portal SAGRES do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), Nathalia saiu de um salário de R$ 3.500,00 em 2020, como secretária parlamentar na Assembleia Legislativa da Paraíba, para R$ 6.000,00 entre 2021 e 2024, no Instituto de Previdência de João Pessoa (IPSENC).
Mas foi em 2025 que o salto olímpico se concretizou: nomeada Diretora Financeira da Câmara Municipal de João Pessoa, Nathalia passou a receber exatos R$ 20.000,00 mensais.
E aqui entra o detalhe mais saboroso da narrativa: a explosão salarial de Nathalia acontece exatamente no mesmo ano em que seu marido, André Coutinho, assume a Prefeitura de Cabedelo.
Claro, deve ser apenas uma daquelas coincidências raríssimas da vida pública — tão raras quanto um eclipse solar em dia de carnaval. Afinal, o serviço público é cheio dessas “serendipidades”: você trabalha anos ganhando R$ 6 mil, e, no exato instante em que seu cônjuge alcança um dos cargos mais poderosos da região metropolitana, você aparece nomeada em outro órgão, com um salário mais de três vezes maior. Puro acaso administrativo, diriam os mais crédulos.
Enquanto isso, em Cabedelo…
No outro extremo do funcionalismo, os servidores de base continuam seus dias sem bonificações, com salários defasados e sob a sombra de um decreto municipal que exige redução de 20% nas despesas correntes.
Só para o cabedelense ter uma noção, o salário da primeira-dama equivale a aproximadamente 10 servidores efetivos:
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4 enfermeiros em regime de plantão;
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3 professores com dedicação exclusiva;
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10 auxiliares administrativos.
Sim, Cabedelo aperta o cinto — mas apenas da cintura para baixo. Porque no topo, há espaço de sobra para ajustes, nomeações, aumentos e festas (Traremos mais informações sobre estes temas ainda esta semana).
Embora a nomeação de Nathalia tenha sido feita em outro município (João Pessoa) e siga, aparentemente, todos os trâmites legais, a questão que permanece é de ordem ética e moral: é compatível, sob o ponto de vista do interesse público, que a esposa de um prefeito em exercício tenha tamanha valorização salarial enquanto o município que seu esposo administra enfrenta cortes e contenções?
Observadores políticos têm levantado a hipótese de que a influência política de André Coutinho possa ter facilitado a ascensão de sua esposa, ainda que indiretamente, pois trata-se de um cargo comissionado, não é cargo conquistado por concurso.
A prática, embora comum em diversas gestões, levanta suspeitas sobre o possível uso da máquina pública para fins familiares e eleitorais.
Mais do que uma indignação moral, o caso revela o abismo entre o discurso público e a prática privada do poder. E nos leva a perguntar: quem, afinal, paga a conta dessa coincidência?
Confira os documentos extraídos do SAGRES-PB do Tribunal de Contas do Estado.










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